"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Morrer para não morrer (uma Mensagem de Natal)


A renovação interior é algo que todos, ou muitos de nós, podemos experimentar ao longo da vida, quiçá mesmo em mais de uma ocasião (afinal, é disto que se tratam as sucessivas iniciações), às vezes de forma jubilosa, e outras vezes de maneira dolorosa. Não raro, os acontecimentos externos influenciam nisto, porém, para que esta mudança funcione, é preciso uma atitude interior, uma capacidade de reflexão que transcenda as vicissitudes, e nisto muitas vezes necessitamos de algum apoio, profissional ou fraternal.
Saber morrer para o passado é fundamental para a nossa renovação –por óbvio que pareça dizê-lo-, abandonar hábitos e gostos, que até podem em parte seguir vivos ou retornar mais tarde, mas nunca a ponto de sufocar um novo homem que caminha sempre adiante. Para saber se estamos estagnados, avançando ou mesmo retrocedendo, cabe calcular o tempo que dedicamos no dia a dia a servir a Deus e ao próximo -de forma desinteressada, é claro. Não adianta muito doar apenas aquilo que nos sobra, nem servir com interesses pessoais. Cabe a doação do nosso tempo e, se possível, de bens porque a partilha é essencial e deve haver espaço para todos e para todo tipo de vocação na vida.
É preciso, enfim, saber realizar opções. Meditar numa fila de banco sempre será útil e positivo, mas sobretudo para não nos estressarmos, e não tanto para nos iluminar. Da mesma forma, uma prática de ioga tem um valor num ashram e outro valor num meio conturbado. Não veja a renúncia como um sacrifício e uma perda, e sim como uma foma de gerar uma maior inclusão e de criar uma hipébole ligada ao fator-Maktub – “Está escrito”, no caso, escrito em nosso próprio destino, em nossos desejos mais profundos. Com o tempo, a vida há de trazer as sínteses necessárias.
Assim, é preciso ver a relação custo-benefício das coisas. É claro que a ioga é muito melhor do que uma droga, por exemplo; é mais dispendiosa em termos de tempo e esforços, mas sempre ajudará mais, trará virtude e fortaleza, preparando-nos para encontrar o Caminho. Contudo, se a nossa aspiração for realmente espiritual, se queremos respostas para a nossa Alma, convém repensar as nossas opções de vida. Não podemos nunca esquecer as grandes mensagens das religiões, acerca da Alma e da vida eterna. O Dilema da Morte e da decadência sempre perseguiu a humanidade, e para isto ela tem buscado toda a sorte de soluções, algumas vezes falsas e outras verdadeiras, além é claro das respostas imperfeitas e apenas provisórias.
Comumente gostamos de julgar que o “problema da salvação” está resolvido com um batismo infantil ou com uma crença reencarnatória. Contudo, tudo isto pode se revelar falsas idéias, simplificações e materializações de símbolos, ou questões descontextualizadas de doutrinas maiores. Assim, esta é uma questão que sempre se renova em cada novo ciclo do mundo, afinal tudo depende mesmo disto. Cada época traz a sua mensagem e também o seu mensageiro maior. Adaptações são necessárias na medida em que mudam os tempos e os locais. Porém, também se criam desvios e superstições, até o ponto em que o materialismo da Kali Yuga (que é a atual) já quase nada preserva da luz -se fala de ¼ de Dharma somente nesta época do mundo. É possível que na complexa época da transição, este quadro se apresente ainda mais grave, mas felizmente é quando também acontece uma nova Revelação e novas portas se abrem para a humanidade.
Assim, as respostas para a Vida maior se renovam hoje, e cada vez mais informações são trazidas e sínteses são alcançadas, até mesmo novas propostas civilizatórias são oferecidas. Tudo isto representa uma grande oportunidade para a humanidade se renovar -num momento em que a problemática cultural transcende na verdade a dimensão individual. Não obstante, a solução para o mundo depende sempre da iniciativa de cada um, inclusive de se associar para difundir saberes e reunir forças.
Renascer é preciso, cabe dar este salto resoluto para fora de si e do passado, de preferência começando cedo. Dispa-se do passado, renove-se para a vida e cure-se. Existem muitas formas de fazer isto, sempre existe algo para descobrir, pois como disse Jesus, “batei e se abrirá”. Como saber se necessitamos renascer? Quando achamos que temos problemas insolúveis, que somos vítimas do mundo, é porque precisamos rever a nossa visão da vida. Assumir a própria responsabilidade por sua vida, é um dos ensinamentos mais fundamentais, e denota o começo do nosso crescimento interior. Naturalmente, quanto maior for o problema, maior deve ser também a fé.
Uma das grandes respostas está na associação. A vida moderna faz apologia ao individualismo, afinal o materialismo induz ao egocentrismo, ao desejo pessoal, ao infantilismo psicológico enfim. Porém isto sempre pode criar problemas, acirrar os nossos limites. Sabe-se que as confrarias, de todo tipo, sempre são importantes para fomentar a solidariedade, a fraternidade. A união faz a força, diz o sábio ditado.
Porém, no geral a própria união necessita um élan, ela tampouco se realiza em torno do materialismo, a não ser talvez quando se trata de agremiações de interesses mais específicos, e mesmo assim ainda exigirá diplomacia e flexibilidade. Isto significa que é necessário haver um ideal comum, uma meta coletiva, coisa que vale desde os Alcólicos Anônimos até as grandes Sociedades de Nações.
As religiões sempre falam do caminho Triplo, que envolve um Mestre, a sua Doutrina e os Seguidores. Não há que tentar mudar uma fórmula eterna e perfeita, mas apenas renovar os seus conteúdos, se queremos buscar a espiritualidade e até a harmonia social. Por isto os orientais dizem que cabe apenas recolocar a roda do Dharma em movimento: a Lei se renova, sim, mas o Objetivo é eterno.
Natal é renascimento, é o despertar do Cristo interno. Neste Natal, se lembre pois do batismo interior que você mesmo pode se propocionar, invocando as força do Espírito santo, que é a Energia espiritual subjacente provinda de Deus e do Messias. Uma Vida nova depende sempre de uma fé, por isto devemos respeitar aqueles que crêem. É ampliar os horizontes da Alma, deixar respirar o coração. Porém, cada vez mais podemos encontrar respostas dentro e fora de nós. Cada um pode buscar soluções, os Mestres existem para despertar o Mestre interior, valendo neste caso na espiritualidade tanto aprender quanto ensinar, ou seja, integrar uma corrente de serviços.
Não deixe a morte lhe colher, sem ter a certeza de que ao menos encontrou a Verdade, e que entrou na Senda verdadeira. O Evangelho da Natureza é uma nova revelação e um complemento da Revelação Eterna, coroando a Dispensação do Espírito santo iniciada na Renascença com São Francisco e culminando na Nova Era do Aguador. Ele diz em síntese: “Amai a Natureza como a tua própria Alma”. Assim, respeitar as leis da Natureza, também serve como um caminho de salvação, afinal é chegada a hora de podemos contar com uma Religião Científica para a Humanidade (tal como existirá doravante uma Religião Cósmica para os Mestres). Isto envolve cuidar da saúde e acatar aquilo que a Natureza sugere ser a essência de cada um, sem transgressões e nem abusar do livre-arbítrio, antes aprendendo a usá-lo cada vez melhor, porque esta é a grande tarefa da condição humana.
O homem é a síntese da Criação e é chegada a hora de se assumir como um co-criador, a fim de que a tarefa da Criação chegue a se consumar, já que de outra forma isto seria impossível. Na nova raça que se instaura em 2012, a iluminação científica estará finalmente acessível à humanidade e todos poderão ver com os próprios olhos a revolução do ser, capaz de trazer novas certezas sobre a imortalidade. Tha Kazé, “vem e vê”; o chamado dos céus mais uma vez se renova, doravante definivamente conectado à Terra para refundar o Reino Eterno das Origens.

***
Pensava numa mensagem para levar até você neste Natal, e ao observar o comportamento de alguns caros amigos no seu cotidiano, naturalmente veio o assunto da renovação interior. É que vemos muita gente que, apesar de confessar uma espiritualidade, se mantém agarrado aos velhos gostos e hábitos, denotando não ter passado por uma conversão, um renascimeno interior, ou seja, não chegaram a se tornar uma nova pessoa, com todos os benefícios que isto traz para Alma.
Uma das consequencias disto é a manutenção da chamada “infância eterna” –mesmo que a pessoa evolua na cartilha materialista a e aprenda a “fazer dinheiro” e consiga sustentar uma família, que são os ideais máximos de muita gente. Isto pode ser suficiente para muitos, mas mais cedo ou mais tarde trará frustrações, quando a pessoa tiver que se defrontar com questões que jamais quis realmente encarar.
Não se trata pois de julgar, mas apenas de observar, quem sabe também para o meu próprio auto-conhecimento, porque provavelmente sigo fazendo a mesma coisa à minha maneira. Já faz muito, creio, que me curei de traços de “soberba iniciática”, que nos leva a julgar o próximo desde o ângulo da nossa própria fortaleza, afinal não é sem integridade que se avança na senda, mas esta também pode deixar brechas aqui e ali para serem aparadas com a jornada.
A dor que o próprio caminho traz, com perdas e renúncias, nos torna mais humildes e nos aproxima da humanidade, ao passo que também nos identifica a Deus. Obviamente, a tristeza, a ignorância e até o desespero, são muitas vezes motivos para condutas menores, podendo em muitos casos nos levar para o descaminho. Por isto é importante “sair cedo de casa”, seja no sentido exterior ou interior, quando a juventude nos favorece com seu idealismo, pureza e determinação. Dificilmente alguém chega a ir longe se não começa cedo uma jornada, senão nos resta conhecer as “experiências de viagem” de outros –e quem não necessita disto em algum momento da sua vida?-, fazer viagens menores ou simplesmente adquirir um plano de viagens mais “turístico”, o que também pode ser interessante, especialmente se temos boa companhia e um bom guia, porque ninguém quer chegar num território estranho sem poder sequer se comunicar com a gente.
Afinal sempre se falou da “vocação”, e isto é algo que todos devemos levar a sério, seja em que sentido for, para não criar confusão e nem ficarmos na ilusão. “Vocação” é coisa muito preciosa, e tem a ver com chamado interior, daí o vocábulo “vocar”. Não casualmente, creio eu, os místicos e os religiosos são aqueles que mais usam a expressão, e sempre achei que é justamente neste caminho que -apesar de tão injuriado por tantos-, o tema vocacional se apresenta de maneira mais própria.

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