"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Os Caminhos do Além (verdades sobre a Reencarnação)


É coisa tão alentadora quanto angustiosa, perceber que cada Religião detém uma parte da Verdade, mas também alimenta os seus equívocos.
É alentador porque, assim, sabemos que todas elas têm o seu valor, e é angustioso por demonstrar que todas elas também têm os seus limites.
As distorções se devem à interpretação humana que recebem os fatos da espiritualidade. E as diferenças de visões, se devem às doutrinas pretenderem trazer “novidades”, e não repetir aquilo que outras já falaram (de forma acertada ou não), ou apenas usam uma linguagem diferente.
Partindo destas premissas, se pode estimar que a espiritualidade de um mundo futuro globalizado, venha a apresentar um duplo-ecumenismo baseado na dialética binária de análise & síntese.
Assim, de um lado se apresentará todas as possibilidades sobre o destino póstumo do ser humano, para a análise de todos, especialmente para as pessoas mais comuns e profanas, de modo a fazerem as suas opções e sedimentar as suas crenças. É o “universalismo lunar”.
De outro lado, se apresentará uma síntese orgânica destas várias possibilidades, num contexto mais rigoroso, para o estudo daqueles que desejam avançar e se especializar mais na senda da luz. É o “universalismo solar”.
A Morte é uma questão central na existência humana, e tratar do tema é, realmente, a suprema meta da condição humana. Os reinos inferiores ainda não têm meios para tratar do assunto da alma ou da consciência, e os reinos superiores não necessitam se ocupar disto porque já o tem superado.
É tarefa específica das religiões fincarem pé no assunto, e todo o resto da cultura humana deve nisto colaborar. Não se trata de morbidez, mas de uma necessidade tácita da evolução humana, sob pena de se incidir na mais grave das alienações –muito embora as falsas crenças também possam ser tão graves quanto a negligência total.
Assim, não há de ser por nada que o tema da Morte seja retomado ou revisto em cada novo ciclo do mundo. Pode-se esperar que haja realmente novas visões (sínteses, quiçá), mas também ilusões devem ser desfeitas, como fez Jesus no tocante à ressurreição, ou como o Buda enfatizou a importância da iluminação e combateu a idéia da reencarnação “passiva”.
Vida e morte podem compor uma dualidade simples, útil para muita gente, dualista e simples como o dia e a noite. Mas a idéia da reencarnação confere maior complexidade ao assunto, inserindo um conceito crepuscular e misto, prenúncio de sínteses quiçá. A reencarnação é uma questão que se confunde com a ressurreição dos mortos do judaico-cristianismo, muito embora esta também possa ser vista como uma iluminação espiritual.
O orfismo, Pitágoras, Sócrates e Platão adotaram a reencarnação, doutrina íntima das Escolas Iniciáticas. Influenciados por estes, os neo-platônicos e os primeiros padres da Igreja simpatizaram com a idéia, até que o Segundo Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., tratou de proscrever informalmente a crença no Cristianismo.
Não há como negar que o espiritismo ofereça conforto para aqueles que perdem um ente querido, sendo este, aliás, uma das grandes fontes das suas “conversões”, quando imaginam que estes falecidos possam seguir de algum modo vivendo -e eventualmente, até mesmo se comunicando com os vivos.
Contudo, e independente da oportunidade e da veracidade desta questão (que se confunde às vezes com a Necromancia), devemos questionar se, por outro lado, esta esperança ou fé, também não alimenta idéias que outras religiões se esforçam detidamente para erradicar da alma humana, sob pena de levar o ser humano a perder o seu precioso tempo vital com ilusões ou, quiçá, apenas com apegos menores e o envolvimento com métodos espirituais atávicos e ultrapassados. “Deixe que os mortos enterrem os seus mortos”, parece ser a austera recomendação de uma religião voltada para o maior aproveitamento da vida atual ou, senão, da visão maior da Vida.
O fato de termos a semente da imortalidade, pode nos dar a ilusão da eternidade. O livre-arbítrio está relacionado a isto, quer dizer: o dom da consciência, ainda que seminal. Uma consciência que foi grandemente formada pela educação que recebemos e que, a bem da verdade, seria mais como uma semente ou um broto, devendo ser alimentada e iluminada até desabrochar como luz plena e auto-suficiente, na certeza total de que ela se tornou algo maior do que a vida física e já não depende desta para existir.
Nisto, o processo de reencarnação seria um instrumento legítimo para seguir nesta evolução. Porém, uma análise mais detida do tema, tenderia a reduzir esta possibilidade aos verdadeiros iniciados, aqueles que têm vocação espiritual e que seguem uma linhagem de sábios. Outra razão ainda mais forte para a reencarnação seria, segundo o Budismo, o serviço espiritual a todos os seres vivos, através da “renúncia do nirvana” (como aconteceria com os tulkus tibetanos).
Ora, esta renúncia apenas seria realmente válida para os iluminados, ou para aqueles que já têm acessado o nirvana, pois não se pode renunciar àquilo que não se possui -ou senão, em tese, renunciar aquilo que se está na iminência de alcançar. Assim, por lógica, prevalece a hipótese da evolução espiritual na grande maioria dos casos, mesmo que o iniciado venha a ser levado a fazer algum “voto de bodhisatwa”. Todas as outras pessoas, seriam “almas novas” em formação, com a oportunidade de “entrar na senda” e seguir reencarnando, ou atuarem como pessoas-de-bem e lograr uma boa posição na Eternidade, sob as bênçãos dos grandes Seres, onde podem atuar como anjos de diferentes categorias.
Estudos esotéricos avançados, afirmam que mesmo os mestres mais evoluídos da Hierarquia, podem realizar a opção de seguir servindo na Terra –e até encarnando para isto-, ou senão escolher entre vários outros caminhos cósmicos de evolução, alguns deles apenas com remota relação com o nosso planeta. O tema foi explorado pela Teosofia -sobretudo por Alice A. Bailey-, e se relaciona aos Caminhos de Ascensão espiritual, uma questão que também encontra importantes abordagens no ensinamento tolteca divulgado por Carlos Castañeda.

Da obra "A Religião da Vida".

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