"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Espada da Verdade


É comum os mitos e filosofias, mostrarem a reunião dos símbolos da Espada e do Livro, ou unirem numa só deidade a guerra e a sabedoria. É o que se observa na China, na Índia, no Tibet, na Grécia, em Roma, na Maçonaria, etc.
A figura do Bodhisatwa tibetano Manjushri (Jampel Yang, em tibetano) é muito rica, representando “a sabedoria transcendental, que deve ser usada para se libertar de amarras cármicas”. Em suas mãos ele porta uma espada-de-fogo e um livro, e por vezes cavalga um leão branco, que é o nome do Trono do Tibet (um paralelo poderia ser feito aqui, com o cavalo branco das profecias do mundo). A espada representa a mais alta espiritualidade e o livro é a sabedoria e o dharma, sendo o trono do leão a autoridade social suprema, reforçado por sua relação com o Elemento Água.*
Acontece que o conhecimento correto, abre o caminho da reta ação e até para o poder. Isto não é pouco, porém, há mais. Em muitas Tradições, o próprio Verbo da Divindade é apresentado como uma espada. Citemos:
“(...) a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes.” (Hb 4, 12)
"E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações (...)” (Ap 19, 15)
A Pedra do Sol (1.000 d.C.), calendário asteca, mostra o Logos com uma faca-na-boca.
Uma candeia etrusca calendário (1.000 a.C.), mostra o Logos com uma faca-na-boca.
Tal coisa representa mais do que a eloqüência e a força exterior, mas o dom de visão que se manifesta como um poder criador.
Daí os mitos e as filosofias genésicas asseverarem a primordialidade do Verbo.
“(...) o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz.” (Gen 1,2-3).
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (Jo 1, 1-3)
Este mesmo Verbo que fez as coisas, possui o poder de renovas as coisas que fez:
“(...) pela palavra de Deus existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” (Pe II, 3,5-7)
Estas águas em meio às quais a terra foi tirada, e que às vezes pode ser uma ilha ou montanha, simboliza uma Ordem que alcançou ser gerada pelo poder criador da sabedoria e do discernimento, tal como antes, a falta deste princípio fez com que a ilusão e a cultura-de-massa “afogasse” todo e qualquer indício de verdade e de justiça.
A cultura-de-massa começa com as “adaptações” que as revelações sofrem para se adequar ao gosto popular e que, por política ou por ignorância, ultrapassam o bom senso e atropelam a verdade.
Pois no geral, uma coisa é a Palavra, e outra coisa é a Doutrina dogmática que no seu entorno se tece. Ora, a Palavra é quase invariavelmente uma coisa algo austera, porém detém a sua amplitude e compaixão, mas que depois a interpretação humana distorce transformando a salvação em indulgência.
E assim termina se criando um abismo cada vez maior, entre o pragmatismo espiritual do Fundador, e a especulação dogmática dos religiosos. Aparentemente a doutrina da indulgência é mais popular, porém ela pode terminar alimentando falsidades que atraicionam a Verdade.

A questão crucial da vida e da morte

Os grandes Mestres foram reformadores de idéias e revelaram verdades. Um ponto-chave nisto, diz respeito às crenças sobre a vida e a morte, considerando que o dilema da morte da Alma é coisa capital na condição humana.
O Buda não apreciava falar de reencarnação, e as primeiras doutrinas budistas asseveram que encarnar era uma ilusão ou coisa movida pela ilusão. Com o tempo se admitiu a idéia no campo espiritual, porém mais ligada ao serviço espiritual do que à idéia da “evolução”. A rigor, o Buda pregava apenas a importância de aproveitar a “raridade do nascimento humano” –o que logo levou à especulação ociosa sobre o nascimento não-humano ou animal da alma-, e à necessidade de aproveitar o tempo vital para conhecer a verdade e buscar a iluminação. Como pouca gente podia se entregar à ascese e sequer ao “caminho-do-meio”, se tratou de flexibilizar as coisas para poder angariar mais fiéis, buscando dilatar ou apurar a idéia da intermediação divina.
Com Jesus sucedeu algo semelhante. A ressurreição era uma crendice entre muitos, gerando até situações embaraçosas por causa das interpretações dadas. Ante um destes “questionamentos” equivocados, Jesus responde aos saduceus: “Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos." (Lc 20, 38) Pretende até mesmo ver no testemunho dos patriarcas, a presença deste Deus eterno: "(...) acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos." (Mt 22, 32) Quer dizer, para haver esperança, mesmo aqueles que morreram fisicamente, gozam de uma situação espiritual distinta do homem comum que alimenta perspectivas mundanas na ressurreição.
As revelações não são sempre simples, pois a ênfase é pela vida espiritual ativa, no mínimo pela simplicidade e pelo “caminho-do-meio”. A sociedade não alcança facilmente isto, então se busca flexibilizar as coisas, muitas vezes indo para além da conta. Criam-se dogmas e crenças que são verdadeiros pastiches espirituais, de uma indulgência escandalosa, porém de tal amplidão que dificilmente alguém escapa delas.
Com isto, as pessoas terminam facilmente se julgando de algum modo eternas, e os esforços pelo auto-aperfeiçoamento são abandonados, sendo cada vez mais raros aqueles que andam próximos à Verdade. Sob o fermento da indulgência, fomenta-se o materialismo e os apegos, e então a moral decai. As superstições criam um abismo crescente entre as crenças e os fatos, e isto alimenta o ceticismo, que é a contraparte natural da crendice. Tudo termina por levar de roldão as instituições, que se tornam cada vez mais alvo dos oportunistas.
Então é preciso ter em conta, que existe um limite para tudo, um ponto irretornável na (des)ordem das coisas, quando o escândalo é tão grande que o “fim do mundo” está decretado –datas como o 2012 teriam a ver com tal situação, já que hoje vemos vários motivos para escândalos e o mundo ruma para o abismo da incerteza. E já não existe ordem ou valor algum, senão o material e o imediato.
Então é chegado o ponto de decretar o Fim. A humanidade deve reconhecer que ela perdeu de vez o rumo, e que não tem mais chances sozinha. Muita dor deve acontecer para ela chegar a fazer isto, de modo que o sofrimento virá, e não adianta muito admoestar as pessoas, porque os poucos que podem de início aceitar a verdade, tampouco poderão fazer muita coisa, senão se reunirem em pequenos grupos-sementes. Mas depois eles poderão fazer muito, quando a dor e a revolta começarem a despertar as pessoas desnorteadas.
Eis que o único que poderá realmente ajudar nesta hora, atesta a sua Fonte divina. Podem ser pessoas reunidas e inspiradas neste Princípio Único, como foram os primeiros cristãos ou os primeiros budistas. Podem ser indivíduos que alcançaram a graça, a revelação, a iniciação e a iluminação, sob a luz trazida por uma Verdade maior.


* Na Astrologia chinesa, o Dragão ocupa a quinta posição, sendo um signo quintessencial porque este animal mítico é como a Esfinge que reúne a força dos Elementos. Na Astrologia ocidental, é Leão que ocupa esta posição, pois os felinos também são tidos tradicionalmente como seres poderosos, capazes de superar os obstáculos de todos os Elementos ou se aproximar disto.

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