"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Dom do Espírito*


Veremos agora de que forma o espírito universal da Nova Revelação se relaciona com a Natureza.
O vínculo entre o Espírito Santo e a Mãe divina tem sido apenas entrevisto pela exegese bíblica. A afirmação da natureza espiritual de Deus ("Deus é espírito", dizem os Evangelhos) se confunde com a idéia do Espírito Santo, gerando um mistério capaz de resultar nos maiores conflitos teológicos.
Podemos falar, por exemplo, do Espírito transcendente no incriado (ou do Criador) e do Espírito imanente nas criaturas. Também podemos ilustrar isto através da relação existente entre a luz branca e o arco-íris, a primeira representando a unidade indivisível e o último simbolizando os dons múltiplos do Espírito Santo. O prisma (cristal ou água) que permite a refração, representa o Filho divino, instrumento dileto para a tradução da Verdade Una no mundo, e também o Caminho para que a Parte possa retornar ao Todo original.
Mas preferimos tratar a questão através da palavra "universal", como combinação entre unidade-e-diversidade. Deus é, sim, universal (ou "católico", do grego). Mas o perfeito universalismo apenas se traduz pela Segunda Pessoa ("consciência"). Na Primeira Pessoa ("essência"), prevalece a unidade, ao passo que na Terceira Pessoa ("contingência" ou forma), prevalece a diversidade.
Assim, apenas o Filho traduz a verdadeira Trindade, ao passso que nas restantes pessoas sempre haverá certa dose de dualidade ou dialética. Pois uma é a Natureza sem o espírito de Deus, outra é a Natureza com o espírito divino. Reciprocamente, um é o Espírito vinculado à Natureza, e outro é o Espírito desvinculado da Natureza. Seja como for, sempre haverá movimento nestes extremos, apenas o centro ou o Filho será estável, e também a chave para o equilíbrio dos restantes aspectos. Podemos nos aproximar de Deus através da Natureza, e podemos nos aproximar da Natureza através de Deus. De fato, ambos os caminhos devem ser percorridos, o da purificação e o da inspiração, tendo sempre, em qualquer caso, por modelo e Guia supremo o Filho.
Mas apesar de a perfeita unidade se apresentar unicamente através do Filho, os aspectos opostos não estão desvinculados entre si. Eles se relacionam, inclusive tendo em vista geração do superior e do transcendente, que é o próprio Filho, fruto da combinação dos aspectos extremos (relativamente) diferenciados. O Espírito Santo que fecunda a Natureza virgem vem do Pai, dando origem ao Filho. O caráter de virgem ou puro da Natureza é aqui essencial, porque senão ela não seria capaz de produzir a grande harmonia do Filho. O próprio Espírito fecundante necessita ser definido como "Santo", porque sendo pecador se torna incapaz de gerar o Filho divino.
Aquilo que a humanidade conheceu na Era passada, foi a sublime natureza do Filho, modelo e exemplo maior, fato que permite a ela seguir pelos mesmos passos e assim tornar-se tão perfeita quanto possível, enquanto torna-se receptiva às influências do Espírito fecundante. Gera, desta forma, não propriamente o Filho, mas a Natureza fecunda, o aspecto Mãe que se traduz em beleza, diversidade e criação.

O Universalismo
A importâcia do universalismo pode ser identificada sob vários ângulos em nossos dias -todos eles passíveis de serem identificados através do viés astrológico, como vamos observar. No seu aspecto mais amplo, partindo da simbologia numérica ou estruturação cósmica, os valores ímpares são aqueles que manifesta, de maneira especial a natureza universal.
Assim de um lado temos a realidade da quinta raça-raiz, a árya, que trouxe a energia da quintessência ao mundo. Através disto, a humanidade conheceu um novo salto de qualidade nas suas expressões. Lhe foi possibilitado participar de uma ordem verdadeiramente universal na forma do Estado solar, onde as influências dos quadrantes culturais eram reunidos, absorvidos e sintetizados num centro cultural-administrativo, e partir disto devolvidas ao mundo sob novas cores (a cultura "antropofágica" brasileira realiza isto naturalmente).
Criou-se então o grande mito áryo do Estado universal, que serviu de estrela-guia para a edificação da civilização ao longo desta raça-raiz. Haviam todavia limites para a expressão desta realidade, uma vez que a energia-base do ciclo-maior era de natureza quaternária, ou sacerdotal. Este quadro começa todavia a mudar hoje, na medida em que se aproxima uma nova ronda mundial. O período que entramos de imediato já representa uma positiva preparação para este futuro ciclo cósmico, que por ser o quinto, terá como base justamente o espírito universalista, ou a quintessência, matizando irresistivelmente com sua nota mental-superior, todas as tendências mundiais, tal como a religiosidade matizou todas as coisas no ciclo planetário que ora se encerra.
Assim, a cultura universalista, mais que uma realidade presente, tem servido como um elemento profético acerca das realidades do mundo futuro. Será este um mundo muito distinto, onde a chamada espiritualidade será a tônica dominate, após a travessia pela cruz cósmica que representa esta quarta ronda, que realiza o grande encontro entre espírito e matéria, tendo como seu fruto primeiro a geração da humanidade.
Uma vez vencida a próxima etapa racial que tará a iluminação grupal, então teremos as bases reais para o ingresso na ronda futura. Com a nova raça, os mestres de quinta iniciação também já serão muitos, de modo que a mente iluminada que pontificava tão rara, única e dificultosamente durante este ciclo áryo, estará difundida e estrelas espirituais deste natureza serão vistas em muitas partes do mundo. Isto permitirá a difusão definitiva da cultura de síntese.
Um outro aspecto do espírito universalista, surge agora através das energias entrantes do Espírito Santo. Desde a Renascença o mundo vem sendo preparado para isto.
Por um lado isto emerge mediante a chegada da Nova Era, a de Aquário, através de seu Sétimo Raio de Organização-e-Ritualística, simbolizada pelo arco-íris e pela Menorah (o candelabro ritual), a unidade-na-diversidade expressa no "arco-das-nuvens" que sempre simbolizou o Hierarquia espiritual, instrumento do pacto de Deus com o homem.
Associado a isto, de forma mais misteriosa tem-se, através desta Era, um terceiro momento de revelações divinas, associada ao Espírito Santo e à Natureza como criação sagrada. O Sete representa também a fusão entre matéria e espírito, daí seu carátar terminal, de ter Deus repousado neste momento na sua Criação, quando tudo já estava completo.
A dispensação do Espírito Santo, vinculada à Era de Aquário, se insere num conjunto de tempo de seis mil anos, vinculado ao período de criação divina, tal como é sugerido no Genesis. A cada dois mil anos existiria uma energia divina básica. Primeira do Deus-Pai, depois a do Deus-Filho, e finalmente a do Deus-Espírito Santo. Esta doutrina foi explorada no final na Idade Média por Joaquim di Fiore, embora atribuindo-lhe dimensões cronológias mais reduzidas (ou seja, aquela que coincide com a das Eras do Mundo divulgada pelos gregos -Ouro, Prata, Bronze e Ferro, de 1260 anos cada, como é mencionado no Apocalipse de São João). Este autor também previa quem na esteira deste dispensanção, surgiria o Reino de Deus na Terra.
Estas leis se misturam assim ao ritmo zodiacal e surgem ao ritmo ternário. O Zodíaco possui realmente na sua estrutura este ritmo, através das triplicidades que regem os quadrantes de signos, expressas como os ritmos Cardinal, Fixo e Mutável.
Tomando como exemplo a sequência em questão, temos as Eras de Áries, Peixes e Aquário, cujos ritmos são Cardinal, Mutável e Fixo. Sendo o Fixo o princípio de equilíbrio, significa que uma harmonia ou estabilidade é alcançada, após uma relação dialética de opostos. Se trata pois de um processo temporal, que requer evolução e experiência –a serpente do Paraíso simboliza também o tempo e o Zodíaco, no qual o homem adentrou através do pecado–, e não a representação atemporal e arquetípica (ou espacial) da realidade cósmica, na qual o elemento neutro (ritmo Fixo) se acha na sua posição central manuseando desde ali os opostos cósmicos.
Tratando-se de um processo de criação (ou de gênese), a harmonia apenas pode ser alcançada com o tempo, na terceira fase final da dialética, que é a da síntese (nem por isto deixa de existir certa combinação entre as duas últimas fases). Mas tal sequência apenas é encontrada no zodíaco precessional ou sideral, o processo retrógrado de evolução vinculado à idéia de absorção das energias cósmicas (pralaya, nirvana). Tanto que a criação deve ser vista como um movimento de sutilização, direcionado ao divino. Por isto a etapa inicial é também a mais primitiva, remontando no caso aos primeiros movimentos raciais realizados por Abrahão há quatro mil anos atrás entre a Caldéia e o Egito. Como Caldeu de origem, ele deveria ter plena ciência do quadro completo que ora apresentamos; era comum a observação do ciclo milenar entre os persas.
Podemos encontrar quadros teosóficos que mostram o setenário como possuindo três etapas de materialização e três outras etapas de espiritualização, com uma etapa central. Em termos simples é como segue abaixo:
Ciclo de Descida ou de Materialização Ciclo de Subida ou de Espiritualização
1....................7
2 .......... 6
3 .... 5
4
(Base 4 = Neutro, Harmonia ou Conflito)
Assim, esta numerologia pode ser desobrada, na medida em que cada unidade pode acolher na verdade dois milênios (além disto, o processo todo se repete duas vezes, em sentidos opostos). Observemos que os valores 5, 6 e 7, correspondem astrológica e astronomicamente aos planetas Marte, Júpiter e Saturno. Ora, tais planetas são os regentes astrológicos dos signos de Áries, Peixe e Aquário, mais acima mencionados como integrando o presente ciclo de criação de seis milênios –estamos entrando no quinto milênio, e nisto temos um aspecto universalista, mental e quintessencial. Este fato confirma pois nossa exegese sobre a natureza deste ciclo e corrobora parcialmente a visão de Joaquim di Fiore.
A unidade-na-diversidade passa pelo setenário. Mas o mesmo arco-íris não deixa de fazer alusão à nova raça-raiz, regida pelo sexto raio de Idealismo-e-Devoção, porque, como afirma René Guenon em Símbolos da Ciência Sagrada, o arco-íris possui na verdade seis cores. Mas este "arco-íris" se apresenta então sob um ângulo feminino e psíquico, trazendo consigo o resgate do matriarcado, posto ser uma raça de número par –paradoxalmente, número "par" aqui significa negativo; já a palavra "par" sugere o princípio feminino de acompanhamento.

* Em O Batismo da Luz, LAWS

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