"O Evangelho da Natureza"

Discorrer sobre os mistérios do Novo Evangelho, é trazer luz sobre pungentes questões que dizem respeito, de forma objetiva, acima de tudo à humanidade em seu próprio nível. É elucidar a natureza e as correlações de dois princípios terciárias, o Espírito Santo e a Criação, e é deitar as bases de um inédito humanismo espiritual. É aprofundar e universalizar, em definitivo, aos chamados Mistérios Marianos. Em termos práticos, é reconhecer na Natureza o fundo universal que possui, em termos físico, psicológico, mental e espiritual, além, de culturalmente, conferir à Ecologia a importância que merece, a partir da identificação de uma dimensão maior a ela relacionada, enquanto parte divina. É, enfim, ancorar no foro humano as maiores realizações possíveis, em temos de saúde, amor, ciência e sabedoria. O Evangelho da Natureza é a grande chave revelada para o resgate da magia e para o reencantamento da Terra.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prelúdios de uma Nova Revelação*


Na mesma época em que vinha ao mundo São Francisco de Assis, hoje tido popularmente como a segunda figura mais importante da cristandade, depois do próprio Jesus Cristo, surgiu um filósofo italiano chamado Joaquim di Fiori, que divulgou uma doutrina relativa às chamadas Idades Divinas. Segundo a doutrina, a revelação da verdade divina aconteceria em três etapas relacionadas às Pessoas da Trindade, tendo por período de cada dispensação, o ciclo de 1260 (anos) mencionado no Apocalipse, obra que, por todos os sinais, representa uma positiva transição para as coisas futuras.
O tema é abordado por René Guenón em sua obra O Esoterismo de Dante, sendo Dante também contemporâneo daquele fantástico século XIII. Guenón não apresenta certos detalhes da doutrina, mas é fácil chegar a certas conclusões. Assim, o mensageiro da etapa do Deus-Pai teria sido Moisés; e o da segunda fase do Deus-Filho teria sido Jesus Cristo. Quanto ao "novo" mensageiro, responsável pela revelação da terceira etapa associada ao Deus-Espírito Santo, Guenón sugere ser talvez o próprio Fiori na avaliação deste, por se tratar de sua época e segundo a premissa de que "a revelação revela o revelador"; outrossim, pensamos melhor se tratar de São Francisco de Assis (e nisto, podemos associar semanticamente Assis e "axis"). Ainda que, seguramente, por sua própria natureza, este novo ciclo já não implica tanto em uma personificação exclusiva, já que diria respeito ao conjunto da humanidade.
É inegável que esta doutrina de ciclos tenha a sua lógica inerente, ainda que a natureza do ciclo em si, não seja muito fácil de identificar científica ou astrologicamente. Outrossim, também se poderia ter em vista o ciclo bem conhecido das Eras zodiacais de 2 mil anos, que tiveram como precursores Abrahão/Melquisedec (Era de Áries) e Jesus Cristo (Era de Peixes). E que em nossos dias também espera, portanto, o seu sucessor (na chamada Ordem de Melquisedec, de São Paulo), para abrir a nova Era de Aquário.
Neste caso, se é um fato que o último terço de cada período, se destine à preparação das coisas futuras, então quase tudo aquilo que surgiu a partir daquele século XIII, diria respeito à adaptação do mundo para as questões do porvir. Estamos falando aqui, basicamente da Renascença, nome, aliás, bastante sugestivo; mas também da descoberta do Novo Mundo, algo ainda mais importante para o que aqui se afirma; de transformações sociais, filosóficas, científicas e políticas mundiais, voltadas para o popular e apontando para a retomada das bases da cultura e da sociedade, não certamente para que assim se permanecesse indefinidamente, pura e simplesmente, mas tendo em vista uma nova construção civilizatória.
Não existe nenhuma vergonha, no fato de um rei descer de seu carcomido pedestal, para andar entre o povo uma vez mais. Porque o povo tem o seu próprio valor e dignidade, sendo perfeitamente capaz de identificar o superior, sempre que este se afigure próprio e útil aos seus interesses em geral. O importante é que, quando este dia chegar, o rei esteja lá como uma liderança ativa, em nome do povo e através do povo, assim como com o povo. O povo reentronizará então a este rei, porque sabe ser ele amigo, e que o ajudará porque inclusive dele saiu, de qualquer modo que seja.
Haverá seguramente quem relacione também, e não sem alguma razão, a descoberta do Novo Mundo à emergência do Protestantismo. Há inclusive quem considere Martinho Lutero um "avatar-menor", juntamente com Colombo e Da Vinci (ver A Manifestação da Hierarquia, de Alice A. Bailey), ou seja, uma espécie de apóstolo especial ou profeta menor. A coincidência de datas não é realmente casual. Sabe-se que existem motivos políticos na difusão destas novas doutrinas, uma vez que muitos países europeus não aceitaram a medida da Igreja em dividir o mundo a ser descoberto entre Portugal e Espanha. Neste caso, contudo, tudo o que se poderia realmente aceitar, é que o Protestantismo represente uma espécie de preparação ou prolegômeno das novas coisas, mais ou menos como se poderia fazer com o próprio São Francisco, este sim, a nosso ver, capaz de ser considerado uma espécie de "avatar-menor", da forma como os budistas chamam Padma Sambhava de "o segundo Buda", não em seqüência, deve-se ter claro, mas em hierarquia.

O quadro atual

Eis então que, modernamente, temos como corolário a nova revelação do Evangelho da Natureza, onde também onde se busca classificar a Trindade em termos de Criador-Criatura-Criação. Onde um dos principais mistério é resolver as correlações entre o Espírito Santo e Natureza, ou a transição da divina trindade na divina qüaternidade (ver O Evangelho da Natureza, IBRASA, SP).
É assim que, em nossos dias, vemos a difusão do culto ao Deus Interior, assinalando também a chegada do Deus-em-Nós, após termos conhecido o Deus-Conosco (Emanuel) e, antes disto, ao Deus-Externo patriarcal. O próprio Protestantismo tem muito a ver com isto, no seu cultivo dos dons do Espírito Santo ou dos "carismas".
A chave para esta relação misteriosa existente entre Espírito Santo e Natureza, pode residir no fato de que os dons espirituais apenas se desenvolveriam positivamente, pelo respeito às verdades naturais internas e exteriores, tal como o meio-ambiente sadio e a saúde pessoal.
Da mesma forma, a ecologia surge já em nossos dias com uma força enorme, e seu apelo é quase irresistível. Se trata, afinal, da saúde planetária e da sobrevivência da humanidade. A Igreja tem buscado identificar vertentes afins no dogma judaico (ou caldeu) da criação divina do mundo por Deus. Certamente isto será imensamente aproveitado pela Nova Igreja.
O naturalismo é algo crescente, aproveitando-se várias correntes para fortalecê-lo. Existem assim, a via científica, a via social e a via espiritual, todas contribuindo com argumentos poderosos em favor do naturalismo.
O Brasil, com seu espírito eclético e ecológico, servirá para dar um corpo a todas as tendências espirituais modernas.

* Da obra Brasil: O Livro do Tempo, LAWS.

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